10.8.01

Além de O Jogo da Amarelinha não li muito hoje.

Li algumas coisas da Bravo deste mês, deixando de lado os ensaios: sempre que leio algum fico puto. Acho os autores muito arrogantes e as opiniões reacionárias, além de mal fundamentadas.

Além disso, acho que só li uma matéria sobre quadrinhos online. No momento, estou explorando os links. Os mais interessantes vêm pra cá. (RSF)

9.8.01

Mais hipertextos, dessa vez feitos "aqui pertinho": todos por colegas de faculdade.

O primeiro é Insônia, de Irene Kalil. Como o próprio nome indica, o site são anotações bem pessoais feitas durante noites insônes. Apresentado como projeto de conclusão de curso, o resultado final é bem diferente da idéia que inicial (um vídeo), ficando bem melhor do que esperava baseado nas confusões iniciais da autora.

De Repente - também apresentado como trabalho de conclusão de curso - é um dos melhores sites em Flash que eu já vi. Alice Vargas matou a pau, conseguindo articular as informações sobre o repente com o visual do cordel, tão típico da cultura nordestina. Excelente. (RSF)
Ainda estou lendo O Jogo da Amarelinha. Estou correndo o sério risco de ficar preso nele, experimentando combinações diferentes, lendo e relendo capítulos.

Falando em narrativas hipertextuais, encontrei uma interessante ontem: After Days of Passion. A história explora o relacionamento entre um casal, no qual a mulher é viciada em heroína. A navegação é muito boa, nem permitindo que o leitor se perca, nem que estabeleça uma ordem "correta" da narrativa. Os próprios acontecimentos estão embaralhados no tempo. (RSF)

8.8.01

Qual a adaptação mais estranha de Shakespeare que você já viu? O Hamlet com Mel Gibson? Romeu + Juliet? Que tal Midsummer Night's Cream, Hamlet: For the Love of Ophelia ou Taming of the Screw ou outros exemplo de filmes pornô baseados no Bardo?

Tem estudiosos de Shakespeare levando o negócio a sério e analisando esses filmes. (RSF)
Continuo lendo O Jogo da Amarelinha. Estou procurando um jeito de ler que não seja nem a ordem convencional, nem a sugerida pelo o autor. Nisso, estou fazendo o seguinte: um capítulo na ordem "correta" e um único link, como aposto. Se o link remeter a outro, eu ignoro e continuo lendo a ordem usual.

Minha cópia do livro está acabada: compre num sebo, por R$10.00. Toda vez que pego o negócio para ler, penso em levar para encardenar de novo. Também quero fazer isso com minha cópia dr O Choque do Futuro, de Alvin Toffler. (RSF)
Dois cientistas americanos estão afirmando que irão clonar embriôes humanos nas próximas semanas. Não para experimentação científica ou qualquer coisa do tipo, mas como tratamento para infertilidade.

Como era de se esperar, o anúncio está causando debates, alguns bastante
qualificados
. (RSF)

6.8.01

Durante o final de semana, comecei a ler O Jogo da Amarelinha de Julio Cortázar. O livro é um hipertexto - de antes bem antes dos pcs - no qual o leitor pode escolher a ordem dos capítulos. O póprio autor oferece duas sugestões: a ordem normal e uma outras mais "desorganizada". Li pouquinho ainda e na ordem certa, mas estou gostando.

Também comecei a ler Novas Comédias da Vida Privada, do Luís Fernando Veríssimo. Obviamente estou gostando, já que todo mundo gosta. Não que eu seja maria, mas alguém conhece nem que seja uma pessoa que não gosta do Veríssimo? (RSF)
"'Gladiator', a pastiche of epic clichés, was O.K. because everyone involved knew what it was and enjoyed it, 'Saving Private Ryan', a pastiche of war movie clichés, was meretricious because Steven Spielberg kept saying it was the movie to end all wars. 'There's Something About Mary' escapes because it wasn't about bimbo empowerment."
Um produtor da Warner, que prefere permanecer anônimo.

Qual a diferença entre um filme ruim e um filme realmente ruim? Além da pretensão, parece que há algo em comum entre eles. Robin Williams, por exemplo. (RSF)

3.8.01

Procurando coisas no arquivo da Wired, achei um ping-pong entre Alan Kay e Danny Hillis. Idéias - variando entre malucas e executáveis - voando de um lado para o outro em alta velocidade. (RSF)

2.8.01

Gargunza: Do you like this existence, Andy?

Warhol: Oh, sure. It´s wonderful.

Gargunza: Wonderful?

Warhol: I like being a machine.

It´s what I allways wanted to be. You see, I used to carry a camera with me, everywhere I went. Now my eyes are cameras, recording all they see.

I don´t need tape recorders anymore - I am a tape recorder. This is heaven.

And the comics that I read, when I was a child: Superman and Popeye, and Nancy and Uncle Scrooge.

And this is a comic-book world.


O sexta cópia de Andy Warhol e o Emil Gargunza original, ressucitados, conversando sobre sua nova existência em Notes From the Underground, quinta parte de Miracleman: The Golden Age (RSF)

1.8.01

Hoje, terminei de ler A Peste, de Camus. O livro é muito envolvente, apesar dos acontecimentos nele se desenvolverem lentamente. É estranho como o livro não é triste, mesmo com gente morrendo a torto e a direito - inclusive alguns personagens centrais.
Se você preferir ser um médium que um escritor, um negócio muito mais lucrativo, o lance é seguir essas dicas, usadas por vários médiuns profissionais para iludir e se aproveitar de pessoas que estão sofrendo. (RSF)
Existem milhões de manuais que ensinam - ou afirmam ensinar - a escrever. E mais que isso, tornar o leitor um novo Stephen King ou Daniele Steel: em outras palavras, vender muito, mas muito mesmo.

Com dicas tão preciosas como "All you need is the willingness to be labeled 'writer,' and with that one word, you are a writer.", os que seguem esses livros devem ser aqueles que escrevem obras que cometem não um, mas todos os sete pecados capitais contra o leitor. (RSF)

30.7.01

Depois de séculos de espera, finalmente li a X-Men 114. Oh, glorious day!

Apesar de o negócio estar só no início, promete. Não acredito que estou comprando duas revistas da Marvel. E dois títulos X!

O semestre quase terminou. Terei mais tempo para postar as coisas que andei lendo. Or so I hope. Licença que vou ver se termino "A Peste". (RSF)

28.7.01

Eco, Lévy, Mandelbrot, Weissberg, Baudrillard, Huizinga, Guatarri...

Atual, virtual, representação, simulação, simulacros...

Me sinto tão esperto na hora de ler: juro que entendo tudinho. Daí sento pra escrever e tomo um cacete louco da tela em branco. Que vida lixo. (RSF)

26.7.01

Além de A Peste, que avança vagarosamente, tenho lido pouco esses dias. Hoje apenas consultei alguns livros e sites sobre cibercultura e videogames para o ensaio que tenho que entregar segunda. Depois disso, férias. Pretendo ler O Jogo da Amarelinha, de Córtazar e algumas coisas pro meu projeto de conclusão de curso. (RSF)
Tive um sonho noite passada envolvendo A Peste. Eu estava no meio dela, com algumas pessoas que eu conheço. Apesar de saber que estava em Salvador, a cidade era definitivamente diferente da que conhço.

A peste se propagava como a peste bubônica, através das pulgas que haviam mordido ratos doentes. Como sintomas, a febre alta e bulbos pelo corpo. Mas, em lugar de matar, a peste transformava as pessoas em zumbis. E, como todos que assistiram filmes b sabem, os zumbis só têm uma preocipação: comer miolos humanos. (RSF)

25.7.01

Ainda estou lendo - num ritmo bem mais lento, infelizmente - A Peste, de Camus.

Estou gostando muito do livro, apesar de não acontecer muita coisa. Como estava resumindo numa conversa: "primeiro morre um monte de ratos. Depois um monte de gente. Até agora ainda morre gente." Acho que o mais interessante do livro é justamente o ritmo lento em que as coisas acontecem e a maneira que as personalidades dos personagens são exploradas. Além do dilema moral apresentado. (RSF)
Estou lendo, para um ensaio que estou escrevendo, o livro Homo Ludens, de Johan Huizinga. O livro propõe um novo critério para identificar o homem; em vez de Homo sapiens (o homem que pensa), Homo ludens (o homem que joga). A idéia é que, tanto quanto a capacidade de pensar, o jogo define o homem como tal. Para Huizinga o jogo é

uma atividade livre, conscientemente tomada como ‘não-séria’ e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total. É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com a qual não se pode obter qualquer lucro, praticada dentro de limites espaciais e temporais próprios, segundo uma certa ordem e certas regras. Promove a formação de grupos socais com tendência a rodearem-se de segredo e a sublinharem sua diferença em relação o resto do mundo por meio de disfarces ou outros meios semelhantes.


Tudo isso por ter inventado de fazer um ensaio sobre The Sims para uma disciplina da faculdade. Além de Huizinga, Mafesolli, textos sobre simulação, história dos videogames, muitas entrevistas com o povo da Maxim e coisas do tipo. Jogar, que é bom, há um tempão não jogo... Mesmo assim estou me divertindo.

Quando terminar, coloco um link aqui, para quem quiser ler. Se prestar, I mean. (RSF)

21.7.01

Onde os intelectuais estão se escondendo? Cadê eles que não aparecem na mídia? Se eles realmente servem para alguma coisa, deveriam aparecer mais na televisão. Se não tem importância, por que há tanta antipatia por eles? (RSF)
Um homem nos Estados Unidos foi preso por escrever suas fantasias sexuais envolvendo crianças em um diário. Ele não tentou publicar, nem mostrou para ninguém: policiais - que procuravam imagens obscenas em sua casa - acharam o diário.

Tudo bem que o conteúdo das fantasias do cara não é lá muito aceitável, mas ele não tentou agir de acordo nem nada. Imagino que cada vez que alguém escrever, pensar ou ler algo violento, a pessoa vai parar na cadeia, a partir de agora. Ou é só com assuntos de caráter sexual? Haja puritanismo! (RSF)
A indústria fonográfica passou a década de noventa (e o ano 2000) com vendas crescentes. Mas mesmo assim reclamaram e conseguiram fechar o Napster. Este ano, as vendas de discos e ingressos de shows caíram. E outros serviços - menos vulneráveis que o napster - estão ganhando usuários. (RSF)
Clichês, clichês, clichês... É assim que se fala sobre Arte na maior parte do tempo. Mas será que esses clichês dizem alguma coisa sobre a Arte, ou apenas sobre nossa relação com ela? (RSF)

20.7.01

1: Bass I get bitten by a radioactive spider.

2: Don´t be a prat, Jason. If you got bitten bt a radioactive spider you´d die.

1: In the old days, maybe. Back when things were boring not any more.

3: He´s rigth. Sort of, anyway.

2: Oh, don´t you start, Jacks.

3: The probabilites are changing.

2: Huh?

3: We did it last week, in religious studies. It would be a miracle, if you gained powers from something like that.

It is not impossible, because on a quantum level, nothing´s impossible. It´s just very, very unlikely - to the point of virtual impossibility.

But miracles ara happening more and more now. Piggsy said that it´s got something to do with deforming probabilities.

One impossible thing makes other impossible things happen.


Crianças discutindo as pequenas modificações no mundo, em Trends, segunda parte de Miracleman: The Golden Age, escrita por Neil Gaiman. (RSF)
Finalmente, terminou a agonia da SBPC e a desorientação noturna - provocada predominentemente pelo cansaço - causada por ela. Pude, hoje, aproveitar o dia para ler.

Li Corto Maltese in Siberia, de Hugo Pratt, emprestada por um amigo meu. É muito bom, o que eu gosto de chamar de "alta aventura", mas fico com a impressão que falta alguma coisa. Às vezes tenho a impressão que o problema é o desenho, meio duro (principalmente nas cenas de ação). Outras que é a falta de profundidade psicológica dos personagens. Em outras palavras: definitivamente pior que Sandman, ao contrário do que se levantou numa lista sobre hqs que participo.

Mesmo assim eu recomendo. Que eu saiba, não existe em português, mas há um outro volume, A Balado do Mar Salgado, acho que da LPM.

Também peguei de volta Micracleman: The Golden Age e comecei a ler A Peste. Mais notas no decorrer do período. (RSF)

14.7.01

Li muito pouco hoje. Quase nada, na verdade. E o que li, tinha um objetivo: selecionar material para a oficina sobre quadrinhos como registro que eu e um amigo vamos dar na segunda, na SBPC Jovem.

O dia foi cheio, vou dormir. Até. (RSF)

13.7.01

Hoje, na hora do almoço, me escondi numa livraria perto da faculdade, para praticar um de meus esportes preferidos: ler livros dos outros. No cardápio do dia rolou mangá e escritores argentinos cegos.

Primeiro, li Preto e Branco, de Taiyo Matsumoto. Trata-se de um mangá sobre dois garotos de rua numa cidade japonesa. Além de serem dois lutadores fantásticos, Preto (o mais velho, mais violento e cruel) e Branco (o oposto) voam. A arte é bem legal, fugindo um pouco do que se espera dos quadinhos japoneses: suja, sem aqueles fundos cheios de linhas e coisas do tipo. O cara tem claras influências européias no traço. Muito, muito bom. Mais um ponto da Conrad.

Depois li um conto de Borges, A Biblioteca de Babel. Mantenho minha opinião:
Mesmo que a idéia tenha sido do argentino, as "cópias" são bem melhor desenvolvidas.

Acho que meu problema com Borges é justamente esse: seus fãs-escritores escrevem muito melhor que ele próprio suas idéias. E como eles estão em tudo quanto é canto, é difícil se deparar com alguma que ainda não tenha sido reciclada. Apesar da minha insistência, prefiro Umberto Eco, Grant Morrison e Paul Auster a Borges.
(RSF)
Para aquele que rouba livros ou toma emprestado e não devolve um livro de seu dono, que o livro se transforme em serpente em suas mãos e o envenene. Que seja atingido por paralisia e todos os seus membros murchem. Que definhe de dor, chorando alto por clemência e que não haja descanso em sua agonia até que mergulhe na desintegração. Que as traças corroam suas entranhas como sinal do Verme que não morreu. E quando finalmente for ao julgamento final, que as chamas do Inferno o consumam para sempre.
Inscrição na biblioteca do mosteiro de São Pedro, em Barcelona citada num capoítulo sobre o roubo de livros em Uma História da Leitura, Oh, man isso explica muita coisa... (RSF)

12.7.01

Um rato-robô capaz de sair de um labirinto. Uma calculadora que operava com algarismos romanos. E The Ultimate Machine: uma caixa da qual, quando se apertava um botão, saia uma mão de dentro, que apertava novament o botão e voltava para a caixa. Que tipo de imbecil inventaria esse tipo de coisa?

O mesmo tipo de imbecil que chegou à conclusão que todo o tipo de informação pode ser codificada em bits: Claude Shannon. Sua tese de mestrado A Symbolic Analysis of Relay and Switching Circuits é considerada uma das mais importantes do Século XX, ao demonstrar que os computadores - na época analógicos - poderiam fazer algo muito parecido com tomar decisões. (RSF)
Gonzo, mas limpinha
Uma das muitas definições de Cecília Gianetti por ela mesma. O Go Gonzo Girl é um dos blogs que eu costumo acompanhar.

Tem vários blogs por aí que eu olho diariamente, mas esse negócio de linkar pra outro blog é meio contraproducente: os que leio sempre parecem mais legais que os meus...

Não tem ninguém aí para me dizer o contrário, não?(RSF)

11.7.01

Quando eu penso nos trabalhadores da so called Era Vitoriana, sempre aparece alguma coisa bem Charles Dickens, mas um pouco mais extremo (como os resutados dos problemas ósseos causados pelo trabalho nas fábricas de fósforos). Além de pessoas analfabetas cobertas de carvão. E agora eu descubro que tudo isso é verdade. Tirando a parte do "analfabetos": os trabalhadores ingleses eram muito mais cultos do que eu imaginava. (RSF)

9.7.01

Lembra do Atari 2600? Sabia que existe uma versão portátil dele e que ainda tem gente desenvolvendo novos jogos para aquela antiguidade? Desenterre o seu e comemore. Ou baixe um emulador e seus jogos favoritos, faça uma jarra de Tang e chame seus amigos para um campeonato. (RSF)
Tem gente que coleciona tampinhas de garrafa, tem gente que coleciona arte medieval. E tem gente que coleciona encontros aleatórios entre pessoas famosas. Ou o registro deles, melhor dizendo. (RSF)

8.7.01

The most indispensable item that I always take with me is a little pillow. My own pillow. It's not a very big one. It's a little buckwheat seed pillow and it's marvelous.

E isso é a coisa mais importante que Neil Gaiman aprendeu viajando para promover seus livros. A entrevista tem coisas menos importantes, mas de interesse um pouco mais amplo. (RSF)
Há quase quinze anos eu leio sobre a possibilidade de imagens digitais substiruírem atores. Parece que, com Final Fantasy, isso está perto de acontecer. E, obviamente, os atores estão preocupados. Alguns diretores, por outro lado, gostam bastante da idéia. William Gibson acha que Kubrik seria um deles. (RSF)

7.7.01

Assim como a época precisave de Sarte, precisamos de alguém que trate dos mesmos temas que formam Em Busca do Tempo Perdido de uma forma expontânea e - até - ignorante do próprio Sartre, argumenta Charles Mudede. E ele encontrou: Martha Stewart é a Sarte dos dias de hoje. (RSF)
Hoje li uma mais uma história em quadrinhos de um autor que nunca tinha ouvido falar, Shiga. Até agora, só li uma das histórias, Double Happiness, e, apesar do desenho meio tosco, gostei muito. (RSF)

6.7.01

De Uma História da Leitura. Num capítulo sobre os primórdios da escrita, há uns seis mil anos, o Oriente Médio:

Mas escrever não é o único invento que nasceu no instante daquela primeira incisão: uma outra criação aconteceu no mesmo momento. Uma vez que o objetivo do ato de escrever era que o texto fosse resgatado - isto é - lido, a incisão criou simultâneamente o leitor, um papel que surgiu antes mesmo de o primeiro leitor adquirir presnça física. Ao mesmo tempo em que o primeiro escritor concebia uma nova arte ao fazer marcas num pedaço de argila, aparecia tacitamente uma outra srte sem a qual as marcas não teriam nenhum sentido. O escritor era um fazedor de mensagens, criador de signos, mas esses signos e mensagens precisavam de um mago que os decifrasse, que reconhecesse seu significado, que lhes desse voz. Escrever exigia um leitor.

A relação primordial entre escritor e leitor apresenta um paradoxo maravilhoso: ao criar o papel do leitor, o escritor decreta também a morte do escritor, pois, para que um texto fique pronto, o escritor deve se retirar, deve deixar de existir. Enquanto o escritor está presente, o texto continua incompleto. Somente quando o escritor abandona o texto é que este ganha existência. Nesse ponto, a existência do texto é silenciosa, silenciosa até o momento que o leitor o lê. Somente quando olhos capazes fazem contato com as marcas na tabuleta é que o texto ganha vida ativa. Toda escrita depende da generosidade do leitor.

(RSF)
Há cem anos, era publicada a primeira edição de O Cão dos Barkervilles, provavelmente a história mais famosa com Sherlock Holmes. De lá pra cá muita coisa mudou nas histórias de detetive. (RSF)

5.7.01

Depois de meses com saudades, finalmente peguei de volta Smoke and Mirrors, uma coletênea de poemas e contos de Neil Gaiman. Estava doido para reler algumas histórias e ouvir o próprio lendo ao mesmo tempo. A experiência é muito estranha. O ritmo do outro é estranho, apesar de ser legal para apreciar a sonoridade dos poemas (no caso Cold Colors, sobre uma Londres cyberpunk com elementos místicos no fim dos anos 80).

O engraçado é que ontem mesmo li um capítulo de Uma História da Leitura que falava justamente da "leitura ouvida" e das suas diferenças da leitura com que estamos mais acostumados. (RSF)

3.7.01

Ontem, li Sobre os Espelhos, ensaio no livro de mesmo nome de Umberto Eco que responde à seguinte pergunta: "A imgem refletida é um signo?"

Apesar da pergunta parecer difícil, não é preciso ser Eco para resolvê-la: basta lembrar da definição de "signo" - e das características do espelho - para responder. Claro que Eco faz bem mais que isso - e com muito mais elegância - do que eu fiz antes de ler o negócio. Mas acho que minha resposta dá pro gasto. (RSF)
Onde estão os super-heróis gay? E por que ninguém ninguém nunca viu um personagem - ou mesmo um figurante - gay em Star Trek? Por que homossexuais não têm lugar naquela utopia?

Ia fazer alguma diferença pra alguém? Tem gente que acha que sim. E gente que acha que Star Trek perdeu a oportunidade de ir onde nenhum seriado jamais esteve. (RSF)
A.I. finalmente estreiou lá fora. Como era de se esperar, os críticos estão reclamando que o filme não se decide entre ser de Kubrik ou de Spielberg. Como também era de se esperar, alguém arrastou um especialista em inteligência artificial para ver o negócio e dizer o que é ou não é possível.

Enquanto o filme não chega por aqui, o negócio é ir lendo a história da qual ele saiu, Super-Toys Last All Summer Long ou pensando como ele seria se o diretor fosse outro. (RSF)

2.7.01

Qual o problema do Terceiro Mundo? Legados culturais que impedem uma mentalide capitalista? Falta de dinheiro? Para Hernando de Soto, o problema é que os capitais estão imobilizados pela inexistência de um sistema que permita o uso deles para gerar mais capital. Apesar de acusado de simplista, presidentes africanos e sul-americanos estão sentando para ouvir o que ele tem a dizer. (RSF)

1.7.01

Ano passado, o Guardian publicou um especial com um panorama literário mundial. Talvez mais por obrigação que qualquer outra coisa, fala-se da literatura de Portugal e suas colônias, entre elas o Brasil (com destaque para Machado de Assis e Euclides da Cunha). Há também uma lista de livros "obrigatórios" de autores lusófonos.

Uma coisa legal da lista é ver o nome em inglês dos livros. Estorvo, do Chico Buarque é Torment. Memórias Póstumas de Brás Cubas é Epitaph of a Small Winner e Quincas Borba, Philosopher or Dog?, Os Sertões viraram Rebellion in the Backlands.

Realmente, há algo em uma boa tradução que não se encontra no original.(RSF)
Quer me deixar angustiado? É só falar sobre algum computador antigo que eu nunca opuvi falar, ou me lembrar da existência de um e adicionar que existe um emulador. Hoje, vi uma matéria sobre o Amiga. O programa foi fácil, difícil foi achar o ROM que faz ele funcionar.

Depois dessa primeira peleja, resolvi dar uma olhada nos demos para o computador. Achei alguns, mas tive que procurar como transformá-los num formato que o emulador entendesse.

Emulação é muito complicado. Vou é ficar rico para colecionar computadores. (RSF)

30.6.01

Uma colega de faculdade que sabe que eu gosto de quadrinhos e tenho algum interesse em cultura japonesa, me deu dois recortes que ela tirou do JB. Um sobre a obra de Haruki Murakami, escritor japonês que tem influências ocidentais, e outro sobre quadrinhos que não são encontrados por aqui. (RSF)

28.6.01

Alguém que trabalha resenhando produtos culturais consegue frui-los em paz? Um resenhista consegue ler só por prazer? Ler para os outros é a mesma coisa que ler para si mesmo? Alguém que resenhou mais de 3000 livros responde. (RSF)
Como era de se esperar, muita gente discordas das opiniões que Scott McCloud expressa nas I Can´t Stop Thinking!. Entre eles, está o pessoal do Penny Arcade - um site de quadrinho online bastante implicante (e, por isso mesmo, divertido). A resposta deles dá o que pensar. (RSF)
Segundo pesquisas, cerca de cem milhões de americanos não acreditam na Teoria da Evolução das Espécies pela Seleção Natural. Em 1989, Richard Dawkins, professor da Universidade de Oxford, escreveu que "It is absolutely safe to say that if you meet somebody who claims not to believe in evolution, that person is ignorant, stupid or insane (or wicked, but I'd rather not consider that)."

Pelo visto, ele está sendo forçado a reconsiderar a parte do "wicked". (RSF)
Neil Gaiman - que como todo mundo deve saber é o autor de Sandman - lançou um livro recentemente (American Gods). Ontem saiu uma nota no Wired News sobre o diário online dele, que, segundo o jornalista, é um possível modelo de promoção para livros.

Na mesma página, há duas outras notas sobre experimentos que procuram tornar a leitura na tela mais parecida com a no papel. (RSF)

27.6.01

"Não é apropriado que as meninas aprendam a ler e escrever, exceto se quiserem ser freiras, pois outra forma poderão, chegada a idade, escrever ou receber missivas amorosas"


Um nobre da Europa Medieval, citado por Alberto Manguel em Uma História da Leitura (RSF)

26.6.01

Lembrete para todos que gostam de contar vantagem sobre a variedade de sua vida sexual: não façam isso por e-mail. Principalmente pelo seu endereço no trabalho. De repente seus amigos passam a mensagem adiante e você é despedido, igualzinho a um banqueiro americano na Coréia. (RSF)

25.6.01

A DC Comics está lançando reimpressões de edições históricas, tanto da própria editora quanto publicadas por editoreas que depois foram compradas por ela. Hoje, encontrei essas resenhas. A maioria delas é tão absurda quanto os quadrinhos e - desconfio - muito mais divertidas. (RSF)

24.6.01

Hoje li uma hq para web de um autor que eu não conhecia; "Piercing", de David Gaddis. O desenho é muito bom, e a história é legal. Só demora uma tempão para carregar. (RSF)

23.6.01

"Quando ele lia, seus olhos perscrutavam a página e seu coração buscava o sentido, mas sua voz ficava em silêncio e sua língua quieta. Qualquer um podia aproximar-se dele livremente, e em geral os convidados não eram anunciados; assim, com freqüência, quando chegávamos para visitá-lo nós o encontravámos lendo em silêncio, pois jamais lia em voz alta.
(...)
Talvez ele tivesse medo de que, se lesse em voz alta, algum trecho difícil do autor que estivesse lendo poderia suscitar uma indagação na mente de um ouvinte atento, e ele teria então de explicar o significado da passagem ou mesmo discutir sobre alguns pontos mais abtrusos".


Santo Agostinho, sobre seu professor, Santo Ambrósio, e seus hábitos de leitura. O trecho é uma passagem de Confissões, de Agostinho, citado em no segundo capítulo de Uma História da Leitura, de Alberto Manguel. O capítulo trata da oposição entre a leitura falada e a em voz alta, que era a prática comum na Antigüidade, e leitura silenciosa. (RSF)
Angelina Jolie vs Lara Croft:

"Jolie is rumoured to have accepted the role of Lara Croft to annoy her first husband, Jonny Lee Miller, a one-time avid player of the videogame. During their marriage, Jolie says, "I ended up hating Lara Croft because she was the one keeping him up all night, and not me." The pair separated in 1999."

E - mesmo levando tudo em consideração - ela ainda está perdendo de Lara Croft. A altura das duas é só o começo. (RSF)

22.6.01

Ontem li Lucifer - A Opção Estrela da Manhã, a encadernação de uma mini-série de Mike Carey (que não me lembro de ter ouvido falar) e Scott Hampton (artistas da segunda parte de Livros da Magia. A história é muito boa, conseguindo criar uma situação da qual Lúcider (aquele mesmo, agora fora do Inferno e dono de um nightclub) não pode sair usando só força bruta. E a arte é maravilhosa. (RSF)
De volta com a "Guerra às Drogas", a justiça norte-americana está atacando clubes que se preocupam em diminuir os riscos do consumo de drogas. (RSF)

21.6.01

Depois de meses, saiu a sexta edição de I Can´t Stop Thinking, uma coluna "mensal" sobre quadrinhos na Web assinada por Scott McCloud. Assim como Desvendando os Quadrinhos, a coluna é apresentada como uma hq.

A deste mês não está muito boa, mas as anteriores valem a pena. (RSF)
Ontem à noite, achei um artigo sobre Epícuro, o filósofo grego. Legal e bem curtinho. Ideal pra quem não sabe nada sobre o cara (como eu até 15 minutos atrás). (RSF)
X-Force 116. Um dos membros da equipe deixando clara sua visão sobre heroísmo.

"Why do you think we´re in this if it isn´t for personal businness?

The best seat in the house. Money. Sex. Fame. Power. All this... Isn´t that what it´s all about?

The missions we go on... They´re just the sideshow we have to deal with... So we can have this life."
(RSF)
Passei o dia na frente do computador hoje, mas não li nada interessante. Dei uma olhada numas páginas, mas estava ocupado, então salveis as coisas para ler depois. Acho que vou sair da frente desse negócio mais cedo, pra ver se termino o Amores Difíceis ou leio umas revistas que um amigo trouxe. (RSF)

18.6.01

Comprei gibi novo hoje. Uma X-Force (númro 116)na qual um escritor e um desenhista que gosto muito (Peter Milligan e Mike Allred, respectivamente) assumem um título que até o mês anterior era o mais sem pé nem cabeça da linha X (que abarca todos os títulos relacionados com os dos X-Men). Apesar de não ser a X-Men nova - que estou doido pra ler, mas ainda não achei - me diverti bastante.

A premissa do título é bem realista, deixando de lado os super-poderes e tal: uma equipe de super-seres que estão nessa pela fama e pelo dinheiro. Nada de altruísmo, nada de paz entre mutantes e humanos. A X-Force luta por espaço na mídia e para vender mais bonequinhos.

Apesar de obedecer o velho esquema das primeiras edições (apresentar os personagens - já que nenhum dos anteriores se manteve-, estabelecer a premissa), a revista é bem legal: os personagens são interessantes e a premissa parece ter pra onde ir. E o final é surpreendente.

Obviamente, eu preferia ter lido a New X-Men... (RSF)

17.6.01

Semana passada, finalmente cliquei num banner que vejo sempre, de uma tal Revista 2k. Lá, achei uma matéria sobre um programa lá da faculdade do qual já participei: o Centro de Estudos e Pesquisa em Cibercultura. Cool, ain´t it? (RSF)
Ontem, finalmente terminei Como e Por Que Ler. Acho que o tempo foi bem gasto, apesar da irritação que bate com alguns comentários nada com nada que rolam - e que vão tornar o livro datado, como referências a Bill Clinton. Tudo bem que o livro é pessoal, mas às vezes o autor exagera. Acho que o tempo com o livro foi bem gasto: ouvi falar de alguns autores desconhecidos (Corman McCarthy), resolvi deixar outros de lado por mais um tempo (Flannery O´Connor e Proust) e ler logo alguns (Thomas Mann e Thomas Pynchon).

Eu gosto bastante desses livros que falam de livros: sempre descubro alguma coisa. Ao mesmo tempo, fico inquieto por ter que trabalhar, estudar, sair de casa, falar com pessoas, navegar na Internet... em vez de ficar lendo. (RSF)

16.6.01

O clássico das multidões "Monthy Python e o Cálice Sagrado" está sendo lançando em DVD. Com som stéreo e 23 segundos nunca antes vistos. Eles deram uma entrevista para a Salon, falando sobre o filme e quais os 23 segundos que faltavam.

Só pra aprender a escever "shrubbery", já vale a pena. NI! (RSF)

15.6.01

Uma das coisas que mais me deixa agoniado quando penso no passado, é a higiene: banhos sem sabão, ruas imundas e dentes podres. Para o último problema, os dentistas tinham uma solução - dentaduras de dentes humanos novinhos dos campos de batalha. (RSF)
Muita gente está investindo - ou esperando para investir - numa conexão com a Internet que não passe pelos caros e ineficientes cabos das telefônicas. Mas o acesso perpétuo traz vários problemas de segurança. Segundo Sílvio Meira, o grande problema é como reorganizar a rede para que disponibilidade, autenticidade, integridade e confidencialidade não impliquem em supressão de liberdade, excesso de formalismo, falta de flexibilidade e comprometimento do ciclo evolutivo das comunicações. (RSF)
Há muito tempo associada com relógios de bolso e frases como "você está com muito sono", a hipnose está sendo estudada a sério: tomografias e outras tecnologias estão mostrando que ela pode ser uma aliada no tratamento de doenças e de dor crônica. (RSF)
Acho que ninguém por aqui está em condições de despedir ninguém, mas não deixa de ser interessante dar uma olhada nessas dicas de como demitir. Se bem que "oficinas de demissão" é um pouco demais pra minha cabeça não-superprofissional. (RSF)
Eu não estava esperando nenhuma maravilha. Só uma mulher bonita pra ficar olhando enquanto ela pula dum lado pro outro, dispara armas e bate nos "malvados". Nada demais. O trailer é até legal...

Daí eu soube que o filme ia ser re-editado, de tão ruim que ficou. E hoje eu leio uma resenha detonando o negócio todo:
There are a lot worse reasons to go to the movies than to ogle a beautiful star (and this applies to stars and audiences of all genders and orientations). But "Lara Croft: Tomb Raider" is such an inept bundle of work -- crying out for the filmmaking equivalent of Ritalin, but still sluggish as syrup -- that it doesn't even provide an opportunity to ogle properly.

Mas isso vai me impedir de gastar seis reais pra ver a bomba? Não! Claro que não: eu sou um consumidor passivo de produtos culturais (aka: "uma besta mesmo"). (RSF)

14.6.01

Will Eisner - mestre das hq e criador do Spirit - esteve de novo no Brasil. Dessa vez para o III Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. Lá, o velhinho deu essa entrevista. (RSF)
Agora à noite, achei uma resenha de Jimmy Corrigan - The Smartest Kid on Earth (de Chris Ware) e The Jew of New York (de Ben Katchor). Ainda não terminei de ler a resenha, mas ela é cheia de páginas dos quadrinhos.

Eu já tinha ouvido falar de The Jew, mas não tinha visto nenhum página. Tenho alguns números da ACME Novelty Library - onde Jimmy Corrigan surgiu - e gosto bastante, apesar do preço. É uma daquelas coisas que tenho que comprar, já que ninguém que conheço vai se interessar o suficiente: muito, muito, muito triste e explorando formalmente os quadrinhos.

Ontem, li uma coluna sobre quadrinhos que acompanho que fala - mais ou menos - dessas graphic novels. Ou, melhor, do problema que é ter só essas graphics "cabeça" nas livrarias, quando os livros que mais vendem não são nenhuma maravilha quanto à complexidade. (RSF)
Não li quase nada na Internet hoje. Além de ter passado um tempão resolvendo um problema com um vírus, outro vírus me deixou sem a mínima disposição para qualuqer coisa mais complicada que ficar deitado.

Por outro lado, dei um pique no Como e Por Que Ler e em Os Amores Difíceis: estou quase terminando os dois. Acho que o próximo da fila vai ser Uma História da Leitura, de Alberto Manguel. Até onde eu sei, o livro trata de aspectos diferentes do ato de ler através dos tempos. Tem algum tempo que eu quero pegar esse livro, mas fico enrolando.

Os contos de Clarice Lispector continuam parados. Ando meio desatencioso, e nessa distração, acabo não entendendo nada do que acontece - quando acontece - nas histórias. (RSF)

11.6.01

Seguindo os links de um artigo da Salon sobre censura, eu cheguei em um outro sobre uma mãe liberal que chega à conclusão que vem censurando - ou "filtrando", como ela coloca - produtos culturais durante toda a vida da filha. At´aí, tudo bem. Que mãe não faz - ou fez - isso?

Mas a natureza do "filtro" que ela coloca é bem estranha: nada de filmes comerciais, nada de Barbie, mudar os artigos do masculino para o feminino... Esse tipo de proteção me incomoda, fico com a impressão que a criança vai crescer meio alienada do "mundo de verdade". Ou, no mínimo, muito chata. (RSF)
Alguns mamíferos gastam mais de 3% da energia que consomem brincando. Filhotes humanos, quase 15%. Então o negócio deve prestar para alguma coisa.

Os resultados de uma pesquisa recente sugerem que as brincadeiras surgiram durante a evolução como forma de desenvolver e conectar partes dos cérebros enormes (em relação ao peso corporal) dos mamíferos. (RSF)
A Universidade Federal da Bahia desenvolveu, em parceria com a Eletrobrás um gerador movido a dendê, que será instalado em ilhas no litoral baiano.

Não importa a importância da notícia ou o quanto é bom ver o desenvolvimento científico nacional ocorrendo: qualquer coisa envolvendo dendê ainda parece piada. Ainda mais com um título como "Moqueca de Energia". (RSF)

10.6.01

Quando se toma um fora depois de um relacionamento, bate uma saudade imensa e todas as recordações da pessoa se tornam bem mais significativas. Suponho que o mesmo aconteça quando uma pessoa encerra suas atividades por falta de capital, como o Suck fez comigo.

Li algumas coisas antigas. A partir de uma matéria na Salon, achei essa tipologia do e-mail. (RSF)
Se existe alguém que acompanha isto aqui, já deve estar cansado de ver menções ao McSweeney´s. Se você é essa pessoa hipotética e ainda não deu uma chance para os textos sem pé nem cabeça (mas mesmo assim muito bons) do site, recomendo Hitting, que saiu essa semana.

Mas eu recomendaria de qualquer modo, mesmo que você não tenha gostado antes. Se fosse o caso, eu diria "que esse é diferente". (RSF)
Adoro quando a bibliografia dos meus trabalhos vem até mim: às vezes acho que poderia pesquisar sobre tudo se nunca fosse obrigado a sair do quarto. Hoje, na Folha, saiu um artigo do Baudrillard sobre programas de televisão que expõem o cotidiano. Apesar das afirmações bombásticas - começando pelo título, "Banalidade mortífera" - e pra lá de idiossincráticas, o texto tem algumas coisas interessantes.

E bibliografia é bibliografia. (RSF)

9.6.01

Respondendo à pergunta que eu mesmo fiz, o próximo dos meus sites favoritos a fechar foram o Suck e o Plastic. Eu devia saber: eles e a Feed faziam parte do mesmo grupo - Automatic Media. Segundo uma nota na Salon, o fundador da Feed, Steven Johnson, está procurando compradores para os três sites.

Desejo boa sorte a ele, já que tanto o Suck quanto a Feed eram partes obrigatórias da minha navegação diária. O Plastic, um weblog, vai continuar, enquanto a paciência dos voluntários restantes durar.

During the current industry implosion, you have to be a telecommunications giant that sunk billions into now-glutted optic fiber capacity, or a would-be portal that bloated itself on acquisitions before expiring with a gasp, to make it into the business headlines.

But if your Web scales are tuned instead to measure intellectual quality or pop-culture creativity, then this news registers with sorry intensity. The Internet downturn has already left many investors impoverished; now the downturn is starting to hit the rest of us where it hurts -- in our daily bookmarks.


Scott Rosenberg, editor da Salon, sobre a falência dos sites.

E por que todo mundo está esquecendo do alt.culture? (RSF)
Já estava mais que na hora do negócio se espalhar: depois de John Maeda e seu Drawing by Numbers, outros artistas estão escrevendo seus próprios programas para produzir arte. (RSF)
Primeiro o Smug, depois o Word (que fechou tão bem fechado que nem arquivo sobrou), agora a Feed está fechando. Será que todos os meus site preferidos vão fechar? Qual será o próximo? (RSF)
Beauty is only a scalpel away...
O slogan de Face (RSF)
Fiz hoje a arrumação nas minhas coisas, como vinha me prometendo. Me livrei de muita coisa, principalmente foto-cópias e impressos.

No meio da arrumação, peguei Os Amores Difíceis, do Italo Calvino para dar uma olhada numa história. Resultado: releitura. Enquanto isso, Clarice Lispector continua empacada, Harold Bloom avança devagar e Uma História da Leitura fica olhando torto para mim. (RSF)

8.6.01

Hoje também li uma entrevista que eu e minha namorada demos, sobre "namoro sério". Haja escalde, mas fazer o quê?
Hoje eu reli mais uma vez Face, de Peter Milligan e Duncan Fregredo. É uma das graphic novel que mais gosto, sobre um cirurgião plástico, sua esposa e um artista do nível de Picasso que quer voltar a produzir - e para isso quer ter seu rosto transformado numa cópia de uma retrato cubista.

A história parece ser formda por uma série de vinhetas que vão se tornando mais longas conforme o clímax se aproxima. Apesar de isso ser uma constante tanto no cinema quanto nas hqs, em Face a diferença é bem clara por conta do esquema de cores mudar a cada episódio.

Assustador e cheia de reflexões sobre a natureza da Beleza e da Arte, Face merecia a publicação no Brasil, mais até que Kill Your Boyfriend (que também fez parta da série Vrtigo Voices. Principalmente por ser esgotada lá fora. (RSF)
Não estou conseguindo parar de ler sobre o ato de leitura e as modificações que ele sofre na Internet. O mais recente, saiu no Nova-E.

Estava pensando até em escrever um trabalho sobre o assunto para uma disciplina, mas o professor e os meus colegas desbancaram o tema em favor de algo mais pop.(RSF)

6.6.01

Quando estava no primário e no ginásio, eu tinha a impressão que os professores sempre escolhiam os piores textos, trechos e livros possíveis para trabalhar com seus alunos na sala de aula. Acho que o objetivo disso era fazer com que as pobres crianças associassem a leitura ao insuportável sofrimento causado por aquelas aberrações e nunca pensassem em se tornarem professores de português para fazer concorrência. Hoje, tive uma amostra bastante iluminadora desse fenômeno.

Minha mãe - que é coordenadora em uma escola primária - trouxe para casa um livro - Namorinho de Portão, de Elias José - para que meu irmão digitasse uma poesia selecionada por uma professora para ser usada em alguma atividade.

Brincando de não-me-olhe

Não me olhe de lado
Que eu não sou melado.

Não me olhe de banda
Que eu não sou quitanda.

Não me olhe de frente
Que eu não sou parente.

Não me olhe de trás
Que eu não sou satanás.

Não me olhe no meio
Que eu não sou recheio.

Não me olhe pela janela
Que eu não sou panela.

Não me olhe da porta
Que eu não sou torta.

Não me olhe do portão
Que eu não sou leitão.

Não me olhe no olho
Que eu não sou caolho.

Não me olhe na mão
Que eu não sou mamão.

Não me olhe no joelho
Que eu não sou espelho.

Não me olhe no pé
Que eu não sou chulé.

Não me olhe de baixo
Que eu não sou riacho.

Não me olhe de cima
Que acabou a rima.


O mesmo livro tem vários poemas bem mais interessantes, como este:

A pata da gata

A pata
da gata
ata, ata
e desata.

A pata
da gata
ataca
a maritaca
e a bota
da Maricota.

A pata
da gata
bata na bola,
batuca na lata,
luta com a rata,
cutuca na nata.

A pata
da gata
ata, ata
e desata
e não acata
as ordens da gata.


Bem melhor, não? E bem legal de ler alto e rápido. É um "tata-tá" sem fim. (RSF)

5.6.01

Tenho lido até que bastante coisa, mas ando meio sem paciência de comentar: ou acho que não tenho nada de interessante a dizer ou que ninguém vai se interessar por coisas como palavrões iugoslavos.

Hoje li - além de mais uns pedaços do livro mais novo do Harold Bloom - uma entrevista com Pierre Lévy e um artigo bem grandinho sobre O Senhor dos Anéis. O artigo é muito bom, tentando analisar o livro como um livro moderno, apesar de negar quase tudo que caracterizou o Modernismo na literatura. Esses artigos estão me deixando com vontade de finalmente ler o livro. De Tolkien, até hoje só li O Hobbit, apesar da propaganda de alguns amigos (que não lêem muito mais que horror e fantasia...)

Enquanto escrevo isto aqui, estou lendo um texto breve sobre o Situacionismo, que saiu no Barbelith, um site sobre Invisíveis que virou revista e dando uma olhada no diário de Neil Gaiman. Achei bem legal o comentário dele sobre as críticas (apesar de me parecer um pouco ficção demais):

The last time I listened to a review (good or bad) was in 1987, and it was a review of Violent Cases, my first ever graphic novel (with Dave Mckean drawing). The review said it was a good book, but it was too expensive. Dave and I took that to heart, and we went to the publisher, showed him the review, and asked him to lower the price.

So for the next two or three printings, the book was cheaper. We made a lower royalty. And no-one ever noticed or said anything, nor did anyone ever say anything when, with the next edition, the price went back up again. Which, I decided, was reason enough not to listen to reviews.


Espero que meu fastio quanto a escrever comentários passe, ou que ache coisas tão interessantes que tenha que escrever de qualquer jeito. (RSF)
Há um mês e pouco estou me prometendo fazer uma limpeza nas minhas coisas: jogar fora papéis, achar outro lugar para revistas, me livrar dos recortes... Mas já está determinado que todos os livros ficam. Sei que é um caminho muito perigosos, mas falta coragem para me livrar dos meus livrinhos. Inclusive os que eu sei que não vou ler nunca.

Pra ver se me inspirava um pouco, fui reler Books Won't Furnish a Room, um cara contando como ele reduziu sua biblioteca. Mas não adiantou muito: não consigo lembrar de nada que eu pudesse me desfazer. (RSF)

3.6.01

Quando eu era moleque, babava toda vez que lia alguma coisa sobre video-texto. Tirando aquela porcaria do Video-Papo, nunca vi nada do tipo por aqui, pulando direto para a Internet.

Lá na França, um serviço de video-texto independente da Internet - o Minitel - continua funcinando. E empresas como o Yahoo estão trabalhando para utilizar o sistema. A diferença de um serviço que serve pra alguma coisa... (RSF)
Fui dar uma olhada no Suck e - para variar - acabei me enfiando nos arquivos do Filler. E, sei lá como, achei dois muito engraçados: The Inaction Heroes, Pop Psycology e Overprofissionalism: Fear It (desenhado por Phillip Bond!).

Falando em coisas engraçadas que muita gente não vê graça, também li What is funnier?, no McSweeney´s. (RSF)

2.6.01

Ontem, vi numa livraria a tradução do primeiro livro de Lemony Sniket contando a triste história dos irmãos Baudelaire, Um Mau Começo. Infelizmente, só tive tempo de ler o primeiro capítulo, me divertindo e entristecendo bastante. Para quem não tem vergonha de comprar livro infantil, ou para os sobrinhos que entendem ironia, é uma ótima pedida. (RSF)
O consumo de drogas, a violência e o número de suicídios vêm aumentando entre os jovens americanos. E tudo isso tem uma estreita relação com os filmes e jogos violento, certo? Nem um pouco. As estatísticas indicam que os adolescentes de lá nunca estiveram tão bem.

Então por que diabos tanto a esquerda quanto a direita de lá querem convencer todo mundo do contrário? (RSF)
Minha leitura de "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius" não foi totalmente sem segundas intenções.

Ainda estou lendo Como e Por Que Ler, de Harold Bloom. Mesmo me irritando com alguma coisa acada três páginas, vou insistindo. Ele é um daqueles que livros que eu chamo de "catálogos": cheio de indicações - algumas das quais nem tinha ouvido falar, principalmente na parte sobre poesia - de leitura.

Tenho brincado com a idéia de ler todos os livros analisados no de Bloom nos próximos cinco anos. Parece muito tempo, mas sempre vai aparecendo mais coisas. Há mais de dois comprei e enrolo com Ulisses e Naked Lunch. E eles estão a menos de dois metros de mim. (RSF)
Cidade de Vidro

Adaptações de romances para quadrinhos costumam não dar muito certo. Ou as coisas saem apressadas demais devido ao número de páginas inferior, ou as histórias se arrastam e se arrastam, na tentativa de não deixar nada do original de fora. Além disso, romances são bastante diferentes de hqs: eles permitem a exploração da vida interior dos personagens e aquilo que não pode ser visto. Coisa que não é fácil de fazer nos quadrinhos sem recorrer a quilos de texto.

É difícil, mas não chega a ser impossível. Um exemplo de adaptação que funciona (e muito bem!) é a que Dave Mazzucchelli faz da novela "Cidade de Vidro" (extraída do livro "Trilogia de Nova Iorque", do escritor e diretor de cinema Paul Auster).

Mazzucchelli é velho conhecido dos fãs de Frank Miller: foi ele que ilustrou "Demolidor - A Queda de Murdock" e "Batman - Ano Um". Depois disso ele largou os super-heróis para se dedicar a experimentos nas hqs alternativas. Em uma entrevista à revista americana Wizard, ele declarou que "Demolidor foi a conclusão de meus estudos universitários. Ano Um, minha pós-graduação. As coisas que fiz depois eram o porquê de eu estar estudando".

"Cidade de Vidro" é, na superfície, uma história de detetive: o escritor de histórias de detetive Daniel Quinn recebe um telefonema no meio da noite procurando por Paul Auster, pois apenas ele pode dar a proteção que a voz na ligação precisa. Sabe-se lá por que, Quinn acaba se interessando pelo caso e resolve se passar por Auster.

Enquanto a novela vale a pena pelas complexidades de Quinn e dos jogos de palavras, a adaptação vale pela maneira com que Mazzucchelli ilustra as grandes, às vezes enormes, exposições de Auster (o escritor de verdade, não o detetive ou o personagem no livro): as imagens vão acompanhando e expandindo, de maneira às vezes inusitadas, o sentido das palavras. Logo na abertura da história, enquanto o texto fala da vida de Quinn e da maneira com que sua identidade se mescla com suas caminhadas pelas ruas de Nova Iorque, as imagens vão fundindo ruas e traços sem formas, até se tornarem a digital de Quinn em uma janela que mostra a cidade.

Seqüências como essa ilustram o potencial dos quadrinhos quando os autores se lembram que as hqs não são só imagens ilustrando textos, mas uma forma de colocar as duas coisas a serviço do que nenhuma delas pode fazer sozinha.

Cidade de Vidro saiu aqui pela Via Lettera(RSF)

1.6.01

Os recenseadores da Austrália e Nova Zelândia enfrentando os poderes da Força: um corrente de e-mail afirma que, se pessoas suficientes responderem de acordo, as autoridades terão de reconhecer que existe uma religião Jedi. Segundo os oficiais do censo, o negócio não é bem assim.
(RSF)
Hoje dediquei algumas horas a um dos meus passatempos favoritos: ficar horas numa livraria. Em vez de uma movimentada num shopping, me escondi numa perto da faculdade. Para variar, sofri bastante, apesar de ter futucado pouco.

Logo que cheguei, fiquei dando uma olhada num livro sobre caricaturas que enrolo para comprar há mais de um ano. O livro parece bom e tal, mas ainda não conseguiu me empolgar o suficiente. E hoje eu não estava em condições de comprar nada.

Passei a maior parte do tempo que fiquei lá lendo dois contos de Borges, ambos de Ficções: "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius" e "Pierre Menard, Autor do Quixote". Apesar da idéia do primeiro ser mais interessante, achei o segundo muito melhor: já havia encontrado mundos invadindo o real antes. Mesmo que a idéia tenha sido do argentino, as "cópias" são bem melhor desenvolvidas.

Acho que meu problema com Borges é justamente esse: seus fãs-escritores escrevem muito melhor que ele próprio suas idéias. E como eles estão em tudo quanto é canto, é difícil se deparar com alguma que ainda não tenha sido reciclada. Apedar da minha insistência, prefiro Umberto Eco, Grant Morrison e Paul Auster a Borges.

O resto do tempo passei lendo trechos de uma coletânea de ensaios do New York Times Book Review. Mais um livro para a Lista Sem Fim. (RSF)